"Ara de Taciano" descoberta na região de Tavira (Algarve-Portugal)
As traduções mais divulgadas da inscrição da lápide de Taciano são as seguintes:
Saúde aos que passam.
Evéno e Antiochía erigiram este monumento
à memória do seu próprio e muito querido
filho Tatianus que viveu um ano e vinte dias.
Saúde aos que passam...
Esta é a condição da vida humana.
(Emil Hübner in Sebastião Estácio da Veiga, Povos Balsenses, Lisboa, 1866, p. 27-8)
Salve!
Evénos e Antiocheís, a seu filho Tatianós,
tão doce, que viveu um ano e 23 dias; em
memória. Salve! Assim é!...
(José Cardim Ribeiro, Religiões da Lusitânia. Loquuntur Saxa, M.N.A., Lisboa, 2002, nº 260 p. 529-530)
Na realidade não há nada de decisivo nem de explícito em um eventual carácter cristão da inscrição. Trata-se apenas de uma hipótese a considerar pois o seu estudo comparativo sistemático com inscrições funerárias do mundo grego e da mesma época nunca foi feito até hoje, que eu saiba.
O padre Miguel Ângelo Pereira, de Tavira, realizou um interessante trabalho de índole linguística sobre a inscrição, em que confirmou tratar-se de grego não clássico mas sim o da koinê, usado pelas comunidades gregas espalhadas pelo Mediterrâneo no séc. III (entre as quais as cristãs, mas não só...). Os escritos de Paulo de Tarso e da versão grega da Bíblia, assim como os de muitos outros autores cristãos e pagãos de língua grega que viveram durante a época romana, foram escritos neste dialecto.
Por Luís Fraga da Silva

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